Precisamos falar sobre a Manicure

Ok, o Brasil inteiro parou esta semana para brincar com a piada da Fabíola vs Manicure vs Gordinho da Saveiro. Enquanto o país ria, se desembolava uma verdadeira guerra de ideologias dentro dos grupos sociais. Tudo isto, pois havia quem ( em partes ) criticasse a posição das pessoas em apontar no centro da piada  a mulher que ” foi fazer as unhas “. Até aí tudo bem, mas no meio de hashtags e memes eu me deparei para pensar:

Mulher que trai é piranha. Homem não.

Além de comedor, o Leo, no máximo, vai ser visto como traíra por ter saído com a mulher do amigo. “Tanta piranha, Leo, sacanagem, zé” – fala o amigo narrador, querendo dizer que não precisava pegar justo a mulher do compadre. Já a Fabiola provavelmente vai ter sua reputação dizimada na cidade onde mora. Vai ser eternamente conhecida como p*ta, vaga*unda. Vai ser julgada pela família e amigos e dificilmente vai conseguir se reerguer ou se relacionar novamente com conhecidos.

 

Ser macho é ser durão.

Forte, másculo, pegador, agressivo. É colocar a mulher no “lugar dela”. Ganhar mais que ela. Mandar em casa, sustentar a família. É não deixar barato nenhuma traição. O marido de Fabíola fez o que a nossa cultura o ensinou a fazer. Seguiu a mulher, quebrou tudo e foi violento com ela para mostrar que era homem o suficiente. Provavelmente, enquanto ela vai sofrer com o estigma de puta, ele vai sofrer com o estigma de corno. Vivemos estereótipos de gênero aprisionantes. Cultivar essa noção de masculinidade gera homens infelizes e produz agressores, como o do vídeo. É urgente. Precisamos rever essa construção pra conseguir, um dia, alcançar igualdade de gêneros.

A desgraça alheia é engraçada, a nossa não.

Enquanto Fabíola, sua família e amigos tentam se reestruturar ( se isso acontecer ) milhões de posts estão ganhando curtidas e compartilhamentos e ajudando páginas a ganhar mais seguidores. Digo isto pois tenho também uma página, e assim como no clássico livro  A Onda publicado em 1981, de Todd Strasser,  segui compulsivamente a direção do humor nacional e caí em desgraça postando também um vídeo parodiando o episódio. É engraçado notar que esse tipo de ‘ humor ‘ viraliza mais que uma postagem sobre

 

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Na imagem da esquerda, vemos o post com a paródia do vídeo viral com um alcance de 11 mil pessoas. Na imagem da direita, vemos uma paródia de cunho político com número bem menor de pessoas alcançadas.

 

Nós perdemos completamente a medida do que é público ou privado. Um marido traído dar um flagra no melhor amigo com sua mulher é um problema que deveria ser resolvido entre eles. Mais ninguém. Há famílias envolvidas. Filhos. Crianças. A ideia de se vingar expondo ao mundo o barraco é de uma estupidez sem limites. Saem todos prejudicados. Estamos diante de uma geração imatura, que desaprendeu a resolver os problemas sozinha. É preciso jogar a coisa toda no ventilador das redes sociais, virar meme, ganhar o mundo, como se isso resolvesse alguma coisa.

O resultado dessa história em que só há vilões será nefasto para todos eles. Fabíola, a esposa traidora, dificilmente terá a reputação recuperada. O marido traído será, pra sempre, o corno estressado. O gordinho traidor perdeu, numa tacada só, o amigo, a amante e a família. E o babaca que filmou e vazou pode ter um bom lugar reservado para ele na cadeia da cidade. Triste o mundo que precisa do drama alheio para se divertir.

Minha dica:  Cada um deve cuidar de sua própria unha, antes de sair criticando a manicure dos outros.

Texto escrito em colaboração com o  HuffmangPost

Blog do BG: Trecho removido de Blog do BG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Autor: Douglas Alves

Um cara apaixonado por comunicação! Por foto, por gente, por política e por tudo que engloba o ser social. É difícil explicar.

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