A classe média brasileira é uma ex mulher raivosa.

O saudoso movimento ” original ” da classe média, nomeado por ela de panelaço, teve sua origem no Chile de 71 contra o governo esquerdista de Allende. O movimento abriu caminho para o golpe de estado pernóstico de Pinochet que culminou na morte ou desaparecimento de ( dados oficiais ) 40 mil pessoas. Não vivi no Chile de 71, mas estou vivendo no Brasil de 2015 e 16. Não preciso viver uma época para saber comparar ela com outra, e por isso afirmo que não estamos em crise de pão. As panelas do Chile de 71 estavam vazias, as do Brasil não.

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Fazia anos que o  Um Brasil não se unia por um bem comum.  Mas esse bem é bom para quem? E quem é a comunidade por trás desse movimento?

Por Douglas Alves, 11 de Janeiro de 2016.

 

É gourmet o panelaço. Tem gosto, aroma e textura de tudo, menos de fome.

 

 O  saudoso movimento ” original ” da classe média, nomeado por ela de panelaço, teve sua origem no Chile de 71 contra o governo esquerdista de Allende. O movimento abriu caminho para o golpe de estado pernóstico de Pinochet que culminou na morte ou desaparecimento de ( dados oficiais ) 40 mil pessoas. Não vivi no Chile de 71, mas estou vivendo no Brasil de 2015 e 16. Não preciso viver uma época para saber comparar ela com outra, e por isso afirmo que não estamos em crise de pão. As panelas do Chile de 71 estavam vazias, as do Brasil não.

Babá chama atenção de criança para que pai possa fazer selfie da família. ( Imagem: Eduardo Nunomura)
O protesto dessa classe média, que havia anos se contentava e fazia piada com o corruptismo embuçado do país, tinha tudo para ser o maior movimento nacionalista que esse país já viveu. Ora, nem em tempos do movimento estudantil brasileiro vimos tanto reboliço em todos os cantos desse país. Tínhamos tudo para mover a maior massa em prol do bem da nação, isso se não fosse a péssima autocrítica que constrói esse movimento que vai às ruas. É pedante a argumentação de quem está lá. São iletrados na sua essência e são néscios de diálogo. Não sabem os porquês, sabem os pra quês mas jamais vão entender a essência dos movimentos e quais as formas – legais – de se atingir um bem comum onde toda a sociedade possa usufruir de igualdade. Precisa-se notar que palavras como sociedade, igualdade de direitos e unidade são vistos como ameaça.
Longe de mim criticar o movimento, até participei (  e ainda participo ) movendo e alimentando discussões sobre o tema. Inclusive, defendo calorosamente que esses movimentos não se acabem. Depois de anos estático finalmente o gigante brasileiro surge com opulência para mover seus raquíticos membros bradando justiça e o fim da corrupção e sedento na busca dos corruptos e corruptores.
Isso sim é um movimento de verdade!
Eu tenho medo da massa. Acho que nunca falei isso antes. Mas é escrevendo que tomamos coragem. Então declaro:
Sou um Agorofóbico (do grego ágora – assembleia; reunião de pessoas; multidão + phobos – medo), tenho medo de multidão. Não de um monte de gente reunida, mas de um monte de gente pensando igual! Tenho pavor, admito. Me arrepio de pensam que um dia posso acordar e esquecer de perguntar e questionar o porque e pra quê estou fazendo.  Gosto de questionar, de ir contra ou a favor, de pensar ou de abster-me de pensar. Isso é saudável. E é isso que me faz olhar por fora das panelas, por isso me abstenho de batê-las. Ora, quando vi o movimento achei interessante demais, mas fui procurar saber de onde viera e pra quê servira e vi claramente que não se encaixava com nosso momento político.  No Chile de 71 não havia diálogo, não havia interesse na sociedade.
Mas, a classe média não se contenta e ela não quer saber de pensar. Ela é igual a uma ex mulher  raivosa. Quem já foi casado sabe muito bem que por mais que os anos de cônjuge tenham sido proveitosos e dourados, no fim do relacionamento o que mais importa são os últimos dias  que são sempre tensos e cheios de farpas. É nos últimos dias que se descobre as verdades e os pormenores da relação. A ex mulher raivosa é cruel, ela não lembra dos momentos bons do casal, só lembra dos ruins, joga pra fora todas as suas mágoas e faz igual Mário Quintana:
” Se eu pudesse eu pegava a dor. Colocava dentro dum envelope e devolvia ao remetente!
(Mário Quintana)
E ela faz isso, a dor que fica nela ela devolve ao remetente mas antes, exibe para todos seu descontentamento e até aumenta um bocado da conversa, que é pra vingança ser mais fria.  Nossa classe média está magoada, cheia de rancor no peito e se sentindo traída!
Mas fique tranquila Dona Classe Média, a senhora não foi a única traída. Advinha quem ficou sem amigos e vai ter que rebolar para conseguir fazer seu trabalho e levar nas costas toda uma nação de mulheres no nome, só para provar que elas também tem competência?

Autor: Douglas Alves

Um cara apaixonado por comunicação! Por foto, por gente, por política e por tudo que engloba o ser social. É difícil explicar.

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