Como seria viver em um Regime Militar no Brasil de 2016?

Ninguém melhor para responder a esta do que uns dos (estima-se) 434¹ mortos pela ditadura militar  durante os Anos de Chumbo, como é chamado o período de regime militar brasileiro, porém esses obviamente não poderão responder a qualquer pergunta, afinal à eles foi-se negado o direito em vida de resposta. É claro que houveram outros mortos, dezenas de centenas de outras vítimas, mas essas nunca serão identificadas. Suas mortes foram caladas assim como se silencia um aparelho telefônico que insiste em tocar. Suas vozes ficaram mudas na eternidade, ecoando no vão da desigualdade e injustiça até que se prove por quem, onde e como foram mortas.  Diferente dessas 434 que comprovadamente morreram, ficaram para contar a história 1.800 vítimas que sofreram torturas indignas de qualquer filme de terror. Esses sobreviventes poderão contar como é (sobre)viver com o Regime Militar. A história conta que tudo começou por causa de diferenças políticas. Uma elite ameaçada por movimentos populares com visão social que defendiam a democracia o direito de resposta e argumentação. Essa elite, não significa os brancos e ricos mas os proprietários e mantenedores de significativa participação do mercado em seu segmento, financiou  a implantação de um sistema político que não permitisse a disseminação dessa minoria popular. Acontece que mesmo com dura repressão  a antes minoria ganharia cada vez  mais força e gente de peso intelectual relevante para reforçar sua defesa. Com a adesão de importantes nomes ao movimento, a elite ameaçada viu-se obrigada a intensificar a repressão chegando ao ponto de promover uma agressiva mudança na constituição brasileira. Com essa nova constituição, era permitido refutar agressivamente qualquer movimento que o governo não aprovasse. A sistemas como esse agora descrito, damos o nome de Ditadura, onde só é permitida a vontade do governante que muitas vezes é fortemente aliado com forças militaristas para que sua vontade impere e tenha voz.

Um país democrático não pensa desta maneira, em uma nação republicana o dirigente deve entender que a sua vontade deve ser a mesma do povo, ou da maioria. E claro, a voz da maioria deve ser respeitada.

Em 2016 “comemora-se” 52 do fim da Ditadura Militar Brasileira

Regime militar pode ser o governo sem o apoio do povo, um governo eleito sem voto da maioria. Sem o direito de escolha.

Imagine o  cenário:

Acontece em um determinado ano, uma eleição entre dois candidatos. Apura-se  54,3 milhões dos votos são para um candidato, o outro candidato teve 50,9 milhões de votos. Ora, pode-se dizer que o derrotado foi aquele que teve 50 milhões, afinal a maioria (54 milhões) elegeu outro candidato. Logo, quem deve governar e presidir o país durante os 4 anos de mandato é aquele quem saiu democraticamente, de acordo com o povo- afinal o poder e todo o poder emana do povo- vitorioso nas urnas.

Coreto? Não, errado! De acordo com o cenário atual a vontade do povo deve ser calada. Bem, a maioria dos brasileiros quer o fim da Era PT, mas não querem intervenção. Não houveram candidatos militares. Não viu-se propostas e nem panfletos com dizeres: ‘Vote em Coronel Ferrada, ele promete acabar com a corrupção e petralhada’. Seria sadio para o país essa transição, desde que novamente seja nas urnas como foram as últimas eleições. Mas o que acontece hoje não tem sido bem isso. Nas ruas pedem intervenção de um órgão que a maioria dos brasileiros nem conhece. Falam de um sistema de que não se tem domínio. Assim como nos anos de chumbo vividos no passado, querem uma eleição da minoria, governaria ‘aquele quem tem mais garbo e confiança’ mesmo sem a aprovação popular. Não é exagero essa comparação. Beira-se muito proximamente ao sistema adotado naquela época, a única diferença é que -ainda-não há integrantes de movimentos sendo dados como “desaparecidos” ou encontrados ” vítimas de afogamentos, mortes sem causa, atropelamentos,  e outras mortes ‘naturais'”da época militar. A diferença com o cenário atual é a guerra fria que foi implantada em ‘nome da democracia’ e pelos direitos do povo. Ora, o povo não fez sua voz valer? O povo não expressou sua vontade? Sim, expressou e agora a maioria está, assim como nos anos ditatoriais, sendo insultada com a revogação de sua vontade. Novamente, a elite patrocina a movimentação de seus interessem em prol da sua própria vontade, contrariando a vontade da maioria. Novamente, uma briga política entre direitos sociais e desejos imperialistas. Novamente uma gerra entre a liberdade de expressão e direito de ir e vir contra a repressão conservadora e moralista. Quem tem narinas sente o cheiro de fascismo exalando desse movimento que luta pelos direitos do povo, o patriotismo disfarçado de repressão, assim como nos anos da repressão militar.

Viver sobre uma ditadura militar é não o viver a própria vida. É viver a vida de outros, ausentar-se da sua própria vontade em bem da  minoria que detêm o poder. Isso implica não somente a limitação em alguns direitos, mas regimes militares são extremamente nocivos para a evolução e desenvolvimento da sociedade. Uma sociedade que não argumenta, tímida em seus devaneios literários e que não tem expressão é uma sociedade que para no tempo e não se desenvolve. Se fosse em um período militar, provavelmente – na melhor das hipóteses- esse artigo seria censurado e apagado fora da vontade do autor, isso se o autor ficasse vivo para no mínimo revisar seus direitos. Fora isso, das infindáveis mazelas que regimes assim proporcionam a pior delas é a que mais motiva a luta pela democracia: Liberdade de Expressão.  Afinal, expressando o homem se desenvolve e constrói pontes grandiosíssimas para o futuro. E esse DIREITO não o pode ser negado.

O que é o Regime Militar no Brasil de 2016

” A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.”

Karl Marx MARX, K., Dezoito Brumário de Louis Bonaparte, 1852.

Igual ao regime de 64. A imperadora vontade do líder político ( diga-se partido, ou mídia, ou centros de poder economicos ) sendo empurrada goela a baixo e a sociedade submetida sem escapatória à esse sistema. Alguns grupos populares apoiando a forte e tendenciosa argumentação que sistemas militares propõem, e outros grupos resistindo ao movimento tendencioso, não aderindo ao sistema  golpista e anti-democrático e propondo a luta pelos direitos através da militância. Nada diferente da outra vez que um regime operou no Brasil, igualmente como citou Marx.

Obrigado, e até a próxima!


¹Estudos apontam para mais de 1000 mortos clandestinamente. Essa estimativa é baseada em deduções de estudos comprovando que mortos pela ditadura tinham seus pertences, dados e tipo de morte ocultados ou incinerados. Os 434 mortos foram oficialmente comprovados.